quarta-feira, 6 de julho de 2016

Capitulo 7

(Gabriel)

Estava deitado na cama quando minha namorada Julie ligou dizendo que estava passando muito mal e achava que o bebê estava pra nascer, na mesma hora pego a chave do carro e vou o mais rápido que posso pra casa dela. No meio do caminho uma garota aparece do nada e eu não consigo parar e acabo atropelando ela. Imediatamente saio do carro e vou correndo até a garota e ela estava realmente muito machucada.

 Tiro o celular do bolso e ligo para a emergência avisando do acidente. Chego perto da garota que está gritando.

-Calma, a ambulância está vindo.- Digo.
-Não me machuque, por favor, não me machuque.- Ela diz gritando e chorando.
-Ta tudo bem, não vou te machucar.
-Por favor, não me machuque. - Ela continua gritando.

 A ambulância chega e já trazem a maca para leva. Sigo eles até o hospital e já aproveito pra ligar pra Julie que mandei uma ambulância ir buscá-la e encontrava ela no hospital.
 Chegamos ao hospital e levam a garota para a emergência e pergunto se a Julie já deu entrada no hospital e me respondem que sim e que não posso entrar pois é um parto difícil e complicado. Tenho que esperar por alguma notícia.

 Horas se passam e então uma enfermeira aparece.
-Senhor Gabriel Evans? -ela diz logo que entra na sala de espera. Imediatamente me levando.
-Eu!
-O senhor é o pai do filho de Julie Michel ?
-Sou, sou sim. -digo sem conseguir esconder o nervosismo.
-Bom, eu lamento informá-lo Senhor Evans, mas infelizmente sua mulher e seu filho vieram a óbito. Tentamos de tudo, mas como o Senhor já sabia, a gravidez era de risco e ela estava gravida de apenas 7 meses. -eu começo a chorar, não pode ser, ela não poderia morrer.

A enfermeira estava se retirando quando me lembrei da garota que eu havia atropelado.
-E a garota que eu atropelei? -digo engolindo o choro.
-A sim, descobrimos que o nome dela é Laura e ela perdeu a família hoje, assassinato. Não sabemos o que será dela agora, ela definitivamente não tem família e já é maior de idade, não pode ir para um orfanato.
-E como ela está? Vai viver?
-Bem, foi um impacto muito forte ela está muito mal, mas vai ficar bem. Ela é uma garota forte, esta reagindo bem.
-Posso ver ela?
-Não, você não é da família.
-Entendo, mas espero vê-la em algum momento, preciso pedir desculpas.

Volto para a sala de espera, não sei exatamente o que esperar. Minha família morreu e não posso ver a garota a qual atropelei. Mas não quero ir pra casa, não quero chegar lá e saber que nunca vou passar pela aquela por com meu filho entre os braços. Não posso entrar naquela casa e passar pela porta do quarto do meu filho. E também não posso deixar essa garota, Laura. Ela perdeu a família, não tem ninguém, não tem pra onde ir. Sou o culpado por tudo isso.

-Senhor Evans?
Estava dormindo na cadeira quando ouço meu nome ser chamado, desperto. Era um policial.
-Sim, sou eu.
-Olá, sou o detetive Dylan Johnson, estou cuidando do caso de Laura Ruschel. Gostaria de saber o que aconteceu, como a atropelou.
-Bom, eu estava indo buscar minha namorada, porque ela havia me ligado dizendo que não estava passando bem, eu estava muito preocupado. Quando estava indo, a garota apareceu de repente, ela estava correndo olhando para trás, como se estivesse sendo seguida. Não deu tempo de parar. Assim que atropelei-a, desci correndo do carro e ela gritava algo do tipo "não me machuque". Liguei para a ambulância e então viemos para cá.
-Você viu alguém atras dela enquanto ela corria?
-Não Senhor, ela estava sozinha.
-Tudo bem. -Ela faz alguma anotação em um bloco de notas e em seguida volta a conversar. - Senhor Evans, não sei se já sabe, mas a garota, Laura Ruschel tem apenas 19 anos e não tem parentesco. Ela é Brasileira e também não conseguimos contato com ninguém de lá. O senhor se importaria de ser responsável por ela enquanto ela ficar por aqui?
-De maneira alguma, é o minimo que posso fazer.
-Agradeço muito Senhor. Mas não será por muito tempo, assim que ela estiver 100% recuperada, será mandada para o Brasil novamente.

Ele vai embora e eu vou até o balcão para pedir para ver a garota. A enfermeira me faz assinar uns papeis afirmando que serei responsável pela Laura e em seguida me deixa entrar no quarto.
 Quando entro no quarto deu até um aperto no estômago, ela estava muito mal, só de ver, percebi braço quebrado o rosto todo machucado, toda ralada e cheia de pontos.
 Fico com ela no quarto por horas, até que ela acordar.

Capitulo 6

Um ano depois. . .

 Creio que posso dizer que esse ano foi um dos melhores, na verdade, foi um dos melhores. Estou tendo a vida que sempre quis,eu e Pedro estamos namorando há cerca de 9 meses, estou me dando bem com o meu pai e não há ninguém querendo nos matar e o melhor de todos, fiz amizades. Achei que me mudar para Ohio seria a pior coisa que poderia me acontecer, porém, eu estava errada. É incrível isso, como nos recusamos a fazer certas coisas por medo, as vezes coisas ruins tem que acontece para nos virar de cabeça para baixo e aí, assim, descobrir que o "cabeça pra baixo" na verdade, era nosso lado certo.

 Hoje é domingo e estamos na piscina, jogando vôlei, brincando, nos divertindo,esta tudo ótimo. Fiquei lá até umas cinco horas e então subi pro meu quarto e peguei meu celular e vi uma mensagem da minha amiga do colégio Sarah:

-Ei, vamos sair hoje?
-Vamos, pra onde?
-Tava a fim de ir pro shopping.
-Ok, te encontro lá

 Vou para o banheiro tomar um banho, depois coloquei uma calça legging  e uma blusa básica. Vou até a piscina e aviso os meninos que vou ao shopping com a Sarah.

Nosso objetivo era comprar roupa para uma festa que iriamos na semana seguinte.

-Quero comprar um vestido e você Laura ? - ele me pergunta enquanto andamos e olhamos as vitrines.
-Estava pensando em uma calça jeans e uma blusinha.
-Qual é, pelo menos vai de saia.
-Tudo bem, uma saia então.

Após as compras, paramos para comer.


Cheguei em casa umas nove horas da noite,estava tudo apagado, acho que eles saíram, ou foram comprar algo pra comer. Vou pro meu quarto e ao entrar no banheiro do mesmo, vejo o Pedro no chão sangrando,o banheiro estava alagado de sangue. Corro até ele e o pego em meus braços e vejo que ele já está morto, começo a chorar desesperadamente. Lembro-me que disse que seria a família dele, a família deveria proteger. Eu não pude protege-lo!

Ouço um som estrondoso vindo do que parecia ser a escada, saio correndo do banheiro e  tranco a porta do quarto, abro a janela e saio por lá, me machuco um pouco na queda. Mas mesmo assim continuo correndo, não percebo que havia um carro vindo e a ultima coisa que me lembro são duas luzes fortes e em seguida um grande impacto. 

terça-feira, 5 de julho de 2016

Capitulo 5

Acordo com meu pai batendo na porta. Me levanto e vou abrir.
-Laura, tenho que trabalhar e preciso que você cuide da casa.
-Tudo bem, desso em 1 minuto. - fecho a porta.
    

-Fique atenta, se qualquer coisa acontecer pegue o Pedro, vá para o porão e me ligue. - ele disse passando pela porta.
-Tudo bem, bom trabalho.- Tranco a porta.
 Olho para a casa e noto que ela está toda empoeirada e suja, então decido limpar. Coloco uma música pra tocar na TV e começo abrindo as janelas e arrumando, em seguida pego a vassoura, um balde, rodo e panos para limpar. Estava terminado de tirar o pó quando o Pedro desceu.
-Oi. -ele disse num tom triste e com voz de sono.
-Oi, bom dia! Deve estar com fome, já estou terminado aqui e já faço o almoço. Decidi não tocar mais no assunto de Aline, ele não precisava ficar relembrando isto, o melhor era distraí-lo.
-Não, deixa que eu faço o almoço.
-Se você quer assim, tudo bem! - sorrio, fico feliz por ele querer fazer alguma coisa, e não ficar deitado.
 
Ele vai para a cozinha enquanto continuo tirando o pó.
-Ta pronto.- Vou até a cozinha e ele tinha feito panquecas
- Hmmm, adoro panquecas.
-Então, quer ajuda pra limpar lá em cima?
-Eu adoraria.
-Tudo bem depois de lavar a louça vamos lá.
-Beleza

 Terminamos de comer, eu lavei a louça e o Pedro secou e então subimos para limpar o andar de cima da casa. Começamos a arrumar e depois limpar.
Terminamos lá por umas quatro horas e eu liguei pro meu pai pedindo pizza pra janta. Então o Pedro teve a brilhante ideia de jogar videogame nesse meio tempo.
 Meu pai chegou 18:30 horas, colocou a pizza na mesa e enquanto a gente comia ele contou que tinha nos matriculado em um colégio e que iriamos começar amanhã mesmo. Após o jantar eu lavei a louça enquanto o Pedro e Rafael jogavam videogame. Era muito bom ver os dois felizes.
 Ficamos na sala jogando até umas dez horas, mais ou menos. Até que meu pai mandou irmos dormir. Então subi tomei um banho, coloquei o pijama e fui pro quarto. Chegando lá o Pedro tava sentado na cama.
-Podemos conversar?
-Claro.- Sento-me na cama perto dele.- O que você quer conversa?
-Bem, você lembra aquele quase beijo?
-Lembro.– Como não lembrar.
-Então, eu tenho pensado muito, muito mesmo, nisso e eu acho que você deveria saber porque eu não te beijei.
-Tudo bem, então pode contar.- Também acho que devo saber o porque.
-Não sei como explicar, mas vou tentar.- Ele faz uma pausa.- Eu gosto de você, muito, muito mesmo e tudo o que eu mais queria era te beijar, te ter e eu ia fazer isso naquele momento, mas isso não era certo, pois pra ser algo realmente bom os dois têm que querer.
-Mas, eu queria. Na verdade ainda quero, porque eu gosto de você, gosto mesmo de você.- Ele me olha e simplesmente me beija.








 E foi naquele beijo que eu descobri que devia ficar com ele.

capitulo 4

Meu pai ficou ao lado da janela e o Pedro do lado do corredor, me deixando entre os dois.
O Pedro estava triste eu entendo, também perdi minha mãe. Me sinto culpada por isso, eu sempre faço isso, sempre estrago a vida das pessoas. Sou como um buraco negro cheio de infortúnios que atrais as pessoas mais próximas à isso. Acabo adormecendo.

Acordo de repente e olho para um lado e o meu pai esta dormindo, olho para o outro lado e Pedro também está. Fico parada olhando para a parte de trás da poltrona que está na minha frente e os pensamentos vem.

Lembro da minha mãe, de como eram nossos finais de semana, sempre estávamos com um sorriso no rosto, sempre feliz. Lembro também de um dia em que estávamos eu, meu pai e minha irmã Emily, ela estava brincando comigo, era tudo tão bom. E infelizmente eu era tão pequena que não pude dar valor direito para esses momentos. Mas eu queria, queria que meu pai fosse mais feliz, queria que minha mãe e minha irmã não tivessem morrido, queria ter as briguinhas bobas que toda adolescente tem com a mãe, queria que meu pai não fosse um agente, queria que a irmã do Pedro não tivesse morrido, queria ter tido leucemia no lugar da minha irmã, queria ter salvado ela, queria não ter que viajar pra Ohio, queria poder falar tudo isso pro meu pai, queria ter outra escolha, eu simplesmente não queria ter essa vida que eu tenho.
Quando afasto os pensamentos, noto que estou chorando e que meu pai está me olhando.
-O que aconteceu, filha?
-Ah, nada.- Dou um sorriso e limpo o rosto na manga da blusa.
-Certeza?
-Claro, só estou cansada, foi tudo muito corrido. -Também queria não ter que mentir pro meu pai.
-É verdade, mas tente dormir um pouco.
-Já tentei, não consigo, acho que vou ler meu livro ou assistir um filme.
-É uma boa ideia, eu vou tentar dormir de novo.
-Tudo bem.
  Ele vira pro lado e eu pego minha bolsa e tiro de lá “Por lugares incríveis” e então começo a ler. Algum tempo depois a aeromoça avisa que estamos começando a descer em Ohio. Quando pousamos, começo a cutucar meu pai avisando que pousamos, poucos segundos e ele acorda e me manda acordar o Pedro.


  Levamos as malas para um táxi e meu pai dá o endereço.

  Meu pai e o Pedro pegam as malas no porta-malas do táxi e levam pra dentro, meu pai pega a maleta preta, abre e tira de lá um molho de chaves e começa procurar até achar uma que deve ser da tranca da porta da frente da casa, então ele abre e já está tudo em perfeita ordem e mobiliada.
-Então como eu disse que só precisava de dois quartos pelo fato de ter apenas uma filha, acho que vocês vão ter que dividir o quarto. -disse Rafael.
-Tudo bem. -Respondo por mim e pelo Pedro.
-Subam, vão dormir um pouco amanhã vai ser um dia cheio.
-Ok, vamos Pedro.- Ele pega a minha mala e leva para o quarto no final do corredor. Era grande, tinha um papel de parede lindo do mapa-mundi. Nunca conversei muito com Rafael, me impressiona ele saber meu gosto.
Resultado de imagem para quarto com mapa mundi


 Pedro deita na cama olhando pro teto e vejo que ele começa a chorar, vou para perto dele e dou um abraço.
.
-Sei como é difícil, creio que ainda mais difícil pra você sendo que não tem mais ninguém além de mim e do meu pai.- Ele me solta e olha pro lado.- Pedro, tenho que dizer que isso sempre vai doer, toda vez que você lembrar, mas com o tempo você se acostuma, as pessoas se habituam a tudo, inclusive à dor.
-Acho que não.
-Claro que sim, você vai achar uma mulher que goste de você, vai se casar com com ela e ter filhos e quando eles perguntarem da tua irmã, você vai se lembrar dela, de todos os momentos bons que vocês tiveram e vai disser que ela foi uma ótima mulher, uma ótima irmã e teria sido uma ótima tia se a vida tivesse deixado e que agora ela está em algum lugar olhando para todos, como um anjo.
-Ela era a unica família que eu tinha, depois dos meus pais. . . - ele faz uma pausa, e começou a chorar.

 Ele chora e então deita no meu colo.
- Eu vou ser sua família agora!
Ele chora até pegar no sono e pouco tempo depois eu durmo também.


 

Capitulo 3



Quando finalmente saímos da água, o sol já começava se pôr. Coloco minhas roupas que estavam em cima do barranco, estava esfriando.
-Vai, pode falar. Eu sou um cozinheiro de primeira mão. - Ele disse com uma das mãos segundo a frigideira e a outra um garfo, para mexer o hambúrguer.
Enquanto estava lavando a louça, ouço o som da porta da frente batendo e, em seguida ouço Rafael.
Ele pega as malas que estavam perto da porta e as coloca no carro.
Ele abre a maleta e lá continha várias identidades falsas, minhas dele e então ele pega uma, única, do Pedro.


No caminho de volta observo o por do sol a nossa frente, era lindo. O dia estava maravilhoso, nada de ruim aconteceria. Eu estava feliz, em paz.


Pedro parou em frente a minha casa, já estava escuro.
-Venha, -digo tirando o capacete.- vamos entrar.
-Tem certeza?
-Absoluta!
Nesse momento não gostaria de ficar sozinha, não mais. Eu gostava de estar com ele, gostava da sensação que tinha quando estava com ele, liberdade!
Ele entrou sem reclamações. A casa estava escura e o carro não estava na garagem, como sempre. Rafael costumava demorar para chegar em casa quase sempre, as vezes, passa a noite fora. Quase nunca me preocupava com isso, afinal, ele tem o espaço dele e eu o meu.

-Está com fome? -perguntei tirando a jaqueta, minhas roupas já estavam completamente secas por conta do forte vento.
-Morrendo! - ele sorri.
-O que sugere? 
-Podemos pedir uma pizza ou cachorro-quente. 
-Ou. . . -digo olhando para ele. - Podemos fazer pizza ou cachorro-quente.
 Ele sorri e concorda. 
 Decidimos fritar hambúrguer e montar a gosto. Começo tirando-o do congelador e Pedro me reprime, avisando que ele iria fazer a comida. 

-Ah- digo com certa ironia para irrita-lo- até que você consegue manter a casa livre de incêndios. Dá pra viver bem sozinho.

 Ele olha pra mim e começa a rir.
-Você está mesmo me zuando? 
-Eu? Jamais!
 Ele se aproxima do balcão, ao qual eu estava sentada. Envolve os braços na minha cintura e se aproxima para um beijo. Quando nossa bocas estavam prestes a se tocar ele se afasta num movimento rápido e diz:
-O hambúrguer esta pronto, vamos montar os pães?
 Finjo que nada ocorre eu apenas concordo, o clima ficou meio tenso. Montamos os pães e comemo-os em silencio. 
-Nossa! Já são 23 horas, acho que devo ir embora. -ele disse apos verificar o horário no celular.
-Você não prefere ficar para passar a noite, acho que Rafael não vai vir hoje e estou com uma sensação estranha, não quero ficar sozinha. -me arrependo no segundo em que as palavras sairam da minha boca, o que estou pensando? Ele não quer ficar, não quis nem me beijar, por que ficaria?
-Tudo bem, -ele sorri. -eu fico. Mas, por um acaso, eu poderia tomar um banho, as roupas estão geladas. 
-Claro, claro. -digo indo em direção as escadas. -Aproposito, obrigada.
-Sem problemas. 

 Pego uma toalha e uma roupa no armário de Rafael. Ele segue para o banho. 



-Laura, preciso que arrume suas coisas.
-Como assim? -do que ele estava falando?
-Pegue suas coisas e coloque em uma mala, vamos embora. Tente não colocar muita coisa, só o necessário mesmo.
-Mas eu não quero ir, você sempre viaja sozinho por causa do trabalho, por que não pode agora?
-Laura, eu sou um agente, e a Aline também era, e ontem no fim da tarde ela foi assassinada e agora querem matar o filho dela, você e eu.
-Querem matar o Pedro? -era informação demais pra poder associar e absorver.
-Eu sei que vocês ficaram amigos, mas não posso fazer muita coisa, ainda mais se ele estiver em casa. Porque se estiver, muito provavelmente já deve estar morto. Eu sei que é difícil minha filha, mas eu preciso que você seja forte agora, sei que não estive muito presente na sua vida, mas eu sei quão forte você é.
-Tudo bem, -digo com a cabeça queimando por conter as lagrimas. Não sei se é verdade, não sei se sou forte. -O Pedro está aqui, tomando banho. Saímos hoje pela tarde e convidei-o para dormir aqui, não queria ficar sozinha.
- Tudo bem, vou chamá-lo e você arruma as coisas, só coisas rápidas e necessárias.
-Ta bem.

 Em uma mala de viajem média, coloco algumas roupas, notebook e alguns livros. Pego minha bolsa com os documentos e levo a mala e a bolsa para perto da porta da frente. Em outra mala, arrumo algumas roupas de Rafael.
Encontro Rafael e Pedro no andar de baixo, perto das malas.
-Pronto? - pergunta meu Rafael.
-Pronto! -respondo quase em um sussurro.
-Tudo bem, então vamos.

O Pedro entrou no carro na parte de trás e eu e Rafael na parte da frente.

Ele partida no carro e seguimos. Ele dirigia rápido, porem cauteloso.
-Tá, dá pra você me explica? -digo para Rafael.
-Também quero explicações. - Diz o Pedro.
Rafael puxa o ar, tentando achar um jeito de explicar anos e anos de suspense.
-Eu e a Aline somos agentes, estávamos como parceiros para um trabalho de infiltração, mas nos descobriram. Obviamente nos perseguiram e infelizmente, -ele faz uma pausa, olha o retrovisor e por fim diz - pegaram a Aline.
-Como assim pegaram ela? Pra que precisam dela? - Se pronunciou Pedro.
-Bom, na verdade Pedro, não precisam dela. . . -O garoto ficou paralisado.
-Está me dizendo que mataram ela? -ele pergunta tentando não acreditar.
-Sinto muito! -Rafael diz com pesar na voz.
-O que vamos fazer?- pergunto.
-Vamos para Ohio, tem uma casa lá pronta para o meu escape.

  Ficou um longo silêncio até chegarmos no aeroporto.
-Pedro, você não deve ter nenhum documento ai não é ? -Pergunta  Rafael.
-Não. -Responde, seco e sem vida.
-Tudo bem, Laura vá no por malas e pegue uma maleta preta. -Obedeço.

-Aline deixou isso comigo, caso precisa-se, pegue - ele entrega ao Pedro.
-Laura abra o porta-luvas.- O abro.- Agora procure um passaporte com o nome do Pedro.- Eu o pego. - Tudo bem, agora precisamos comprar as passagens e ir.

 No aeroporto eu e Pedro ficamos sentados em um banco esperando meu pai comprar as passagens.
-Sinto muito Pedro- coloco uma das minhas mãos em cima de uma das mãos dele.
 O Pedro continua em silêncio, e então Rafael volta com as passagens.
-Tem voo em 1 hora.


Capitulo 2

"-Te busco às 15 horas. Boa noite!"

A mensagem de Pedro de ontem a noite aparecia mesmo com a tela do celular travada.
Verifico o horário, 12 horas. Ao mesmo tempo que adoro acordar tarde, odeio. Percebo que estou jogando boa parte do meu tempo no lixo, um tempo que nunca mais terei de novo. Mas percebo que não há mais nada que eu poderia fazer. 

 A fome bate, então decido fazer panquecas para o almoço. Penso que neste momento, na Inglaterra, as pessoas já estão tomando chá da tarde. É incrível esse negocio de fuso horário, enquanto uns estão almoçando, outros estão jantando; enquanto uns dormem, outros acordam.
 Vou ao quarto de Rafael, chamá-ló para comer, mas a cama estava arrumada e não havia sinal dele pela casa.
Pedro chegou 15 horas, como havia prometido. Desta vez eu me vesti melhor para andar de moto, coloquei uma bota de cano baixo preta, uma calça jeans também preta, uma regata branca e uma jaqueta de couro preta por cima.
-Olá Laura - ele disse me entregando o capacete- estou vendo que está preparada para andar de moto, até parece que sabia que iriamos passa bastante tempo nela.
-Oi Pedro -sorrio e o abraço.
O dia estava muito agradável, sol, uma brisa gostosa de primavera, temperatura de mais ou menos 25°C - 28°C. Pegamos a estrada e seguimos para o litoral.


Era uma trilha para carros, muitas arvores em volta e pequenos raios de sol surgindo entre elas. Quando Pedro parou foi que conseguimos conversar de novo.

-Nervosa? - ele perguntou
-Nem um pouco.
-Então venha.

Ele pegou na minha mão e continuamos a trilha sem a moto, conseguia ouvir o som da cachoeira. Até que paramos, tinha uma pequena escada feita no barranco, pra ir até a cachoeira.

-Isso é lindo! -eu disse maravilhada.
-Você me disse que queria conhecer o mundo, ainda não posso te levar para longe, mas posso te mostrar lugares bonitos como esse.
-Obrigada Pedro! - dou um abraço nele

 Sentei-me na beira do barranco, observando a cachoeira.

-Não quer entrar? -Pergunta Pedro.
-Não, não trouxe roupa pra isto.
-Mas não precisa de roupa pra entrar na água. -Olho pra ele espantada, me conheceu há menos de 24 horas e já quer me ver nua. -Não, - Ele diz rapidamente- não foi isso que eu quis dizer. Estava apenas dizendo que pode entrar de lingerie, afinal é basicamente um biquíni.
-Entendo, mas estou bem aqui, não quero entrar. Mas fique a vontade se quiser. -Sou insegura demais para mostrar meu corpo à ele.
-Não, vou fazer companhia pra você. - Ele senta ao meu lado. -Então, me conta algo sobre você que mais ninguém saiba.
 Poderia contar-lhe qualquer coisa, não há muitas pessoas interessadas em mim, muito menos na minha vida. Penso em algo, mas nada me vem a cabeça.
-Não sei, o que você quer saber?
-Eu quero saber de tudo Laura, dos seus gostos, suas qualidades e defeitos, seus medos. . .
-Medos? - a pergunta saí por entre meus lábios sem nem mesmo te-la pensado.
-Sim! -ele responde olhando para mim.
-Bom, gosto de aprender sobre os lugares, países.
-Laura -ele diz decepcionado e em seguida sorri. -isso eu já percebi me fala algo, rápido, a primeira coisa que vem na sua mente.
Lembro da minha mãe, dela contando a historia "O pequeno príncipe" para mim quando eu era criança.
-O pequeno príncipe. -Digo segundos depois dele me perguntar e de imediatamente lembrar-me.
-O livro? Porquê?
-Minha mãe contava pra mim quando eu era criança, crio que hoje percebo o valor dessa história. - espero Pedro me dizer algo, mas ele apenas se inclina, esperando que eu continue. -Bom, desde que eu nasci, minha irmã tinha Leucemia, ela foi diagnosticada com dez anos, então minha vida toda eu sempre tive que ver meus pais dando atenção pra ela, não que eu ligue. Mas ninguém me contava o que estava acontecendo. O único momento que eu tinha com a minha mãe, só eu e ela, era quando meu pai ia dar banho na minha irmã. Minha mãe sempre me contava essa história e no final dizia "Boa noite princesa". Mais tarde, fui entender o significado por trás do livro, o Pequeno príncipe era uma criança, uma criança que via beleza em todos os lugares. Tento ver o mundo como ele, por causa da minha mãe. -Pedro passa o braço por cima dos meus ombros e me puxa para um abraço, em seguida ele beija minha cabeça. - Vamos, - me levanto - do que adianta vir até aqui e não aproveitar este lugar lindo.
  Tiro minhas roupas, ficando apenas de lingerie, largo-as em cima do barranco e vou para dentro do lago. Pedro vem logo atrás de mim.

segunda-feira, 4 de julho de 2016

Capitulo 1



Sentada na escrivaninha, tentando resolver os exercícios da lista que o professor havia passado mais cedo na aula, me distraio com o papel de parede logo a frente. Adorava aquele papel de parede, o mapa múndi, todos os cinco continentes e os 193 países. As vezes me imaginava lá, na Dinamarca, que é considerado pela ONU o país mais feliz do mundo. Mas as vezes, me imagino na Suíça, onde a morte assistida é permitida.
A porta se abre, era Rafael, meu pai.


-Oi, oque está fazendo? -perguntou ele
-Apenas resolvendo uma lista de exercício -aponto com a lapiseira para a lista em cima da escrivaninha.
-Laura, você devia sair mais, se divertir e aproveitar a sua adolescência.
-Mas eu estou aproveitando, do meu jeito. Quer que eu faça o jantar? -troco logo de assunto. Ele sabe que não me dou muito bem com pessoas em geral, sou sempre a garota estranha e muda.
- Na verdade hoje vamos jantar na casa de uma colega de trabalho minha, gostaria que você se arrumasse, sairemos às 20:00 horas.
- Tudo bem, eu te encontro lá embaixo às oito.


Logo que ele saí, pego o celular que estava em cima da cama e vejo as horas, 19h40. Nem sei que roupa vestir, quase nunca saio de casa, meu pai nunca fala sobre os amigos dele e nunca sai com eles , eu muito menos. Olho para o guarda roupas, noto que não tenho roupas para sair. Não me preocupo muito com beleza então coloco apenas uma calça jeans preta e uma blusinha branca novinha que Rafael havia me dado no meu aniversario.

Uns 10 minutos depois chegamos e meu pai toca a campainha do apartamento. Uma mulher de olhos verdes e cabelos negros, preso em um rabo de cavalo, abre a porta. Ela está usando uma calça legging preta e uma vest leg de lã vermelha, me senti mau vestida.
-Oi, Rafael.- disse a mulher
-Oi, Aline. Essa é minha filha, Laura. -respondeu meu pai.
-Oi, Laura - disse a mulher que agora tinha o nome, Aline.
-Oi, Aline. -digo num tom baixo, quase um sussurro.
-Rafael, sua filha é linda! Vai ter que me contar o que faz com esse cabelo castanho pra ficar assim tão lindo, sedoso. Manter desse comprimento enorme deve ser difícil.-ela estava sendo gentil, de uma forma que chegava a ser até meio incomodo. -Entrem -ela da passagem- a sala é logo ali- ela aponta para a esquerda- podem sentar-se.
-Obrigado. - disse Rafael.
Andamos até a sala e sentamos no sofá, meu pai e Aline começaram a conversar e eu fiquei sentada ali sem saber o que fazer, nunca tinha ido até a casa de nenhum amigo do meu pai, talvez se ele ainda fosse detetive seria diferente, agora ele é... na verdade eu nem sei o que ele é.
Eles continuam conversando até que ouvi um barulho de porta se abrindo, pouco tempo depois um garoto surge na sala, um garoto alto, mais ou menos um metro e oitenta, cabelo pretos e olhos verdes, iguais aos de Aline. Talvez fosse o filho dela, mesmo ela não aparentando ter mais que 35 e o garoto mais que 21. Ele usava uma calça preta, uma camisa social bordo abotoada até o pescoço e uma jaqueta de couro por cima.

-Oi galera. - Ele vem até nos.
-Oi, você deve ser o Pedro. - Diz Rafael se levantando e dando um aperto de mão. - Sou o Rafael, colega de trabalho da sua irmã e esta é a minha filha, Laura.
-Oi Laura.- disse Pedro sorrindo.
-Oi, Pedro. - Me levanto e dou um aperto de mão também.
Ninguém mais se pronunciou, fica um clima tenso, até que Aline o quebra.

-Então já que ele chegou, vamos jantar?
- Claro, estou morrendo de fome! - Rafael respondeu rapidamente
 
Aline nos guia até a sala de jantar. Aline e meu pai sentam lado a lado de um lado da mesa e Pedro e eu do outro. Aline, havia feito macarronada e lasanha. Há quanto tempo será que não experimento o sabor de uma comida caseira, alem da minha? Coloquei pouco no meu prato, pra não ser descortês. Saboreio cada pedaço, naquele momento era como se nada tivesse acontecido, tudo fosse normal, bom.
Quando termino, todos já haviam terminado, Rafael e Aline já nem estavam mais na mesa e Pedro estava mexendo no celular. Quando percebeu que eu tinha terminado, perguntou:

-Quer sair daqui?
-Oi? -disse sem entender nada.
-Qualquer lugar. -no mesmo instante lembro do mapa múndi na parede do meu quarto. Sim, eu queria sair dali. Queria conhecer a Holanda, Espanha, Portugal, França, Inglaterra, todos os lugares. . .
-Acho melhor lavar a louça.
-Deixa a louça pra lá, você quer?
-Quero! -Digo achando tudo isso uma loucura e imprudência total.

Ele me puxa pelo braço, pega dois capacetes perto da porta, abre a mesma e sai e eu o sigo, sem pensar duas vezes.


No estacionamento uma moto, uma Shadow, nos espera. Ele sobe em cima da moto, coloca um dos capacetes na cabeça e me passa o outro.


Rodamos por muito tempo, pegamos a estrada. Pedro para em um mirante e descemos da moto. Vou para a beira e ele logo atras de mim

-Incrível, não?

-Existe lugares melhor para se ir. -digo com certeza.
-Já conheceu muitos lugares? -ele pergunta sentando do meu lado e olhando pra mim.
-Pela internet e imaginação conta? -sorrio. Percebo que fazia muito tempo que eu não sorria sinceramente. Ele sorri também.
-Quais lugares você quer visitar?
-Eu quero visitar tudo! Quero sai com uma mochila e me perder por ai.
-Dizem que precisa se perder para se achar. - Olho para ele, no fundo dos olhos. Por um momento parecia que já nos conhecíamos.
-Pois é. - desvio o olhar - Mas isso provavelmente nunca vai acontecer, preciso de coragem pra pensar em sumir assim e eu não tenho nem um pingo. Mas então, Pedro, o que você faz da vida, afinal você tem uma moto muito cara -troco de assunto.
-Bom, -ele sorri- eu estudo direito, já estou quase concluindo na verdade. E faço estagio numa empresa de advocacia. E sobre a moto - ele aponta para a mesma- meu pai me deu, depois de morrer.
-Desculpe, eu realmente não sabia.
-Ta tudo bem, já estou acostumado com isso, minha mãe também morreu, mas isso já faz muito tempo.
-Minha mãe também morreu, mas já faz tempo, eu era pequena.
-E você, Laura, o que faz da vida.
-Bom, eu ainda estou no Ensino Médio, fiquei atrasada por conta do que aconteceu com minha mãe e perdi um ano inteiro quando fiquei internada. -falo com vergonha.
-Entendo, mas não fiquei mau por isso, todos tem seu tempo.
Antes que eu pudesse responder meu celular toca, era meu pai:

"-Oi pai.

- Laura onde você está? - ele diz com a respiração acelerada, estava muito preocupado.
-O Pedro me chamou pra dar uma volta, eu estou bem
-Ai que alivio
-Eu já estou voltando pra casa, não se preocupe
-Filha, pode ficar, se divirta um pouco.
 -Tá, tchau."

-Ta tudo bem? -pergunta Pedro
-Ta sim, era meu pai, me disse pra ir pra casa.
-Tudo bem, vamos eu te deixo em casa.

Eu realmente gostei de sair com o Pedro, me senti viva de novo. Mas ficar mais tempo com ele ali, naquele lugar deserto, só me faria jorrar pra cima dele tudo que está entalado na garganta com o passar do tempo. E ele não precisa ouvir, não tem culpa de nada.

-Obrigada por me trazer, não precisava. -agradeço entregando o capacete para Pedro.
-Que isso, foi um prazer. Mas me passa teu numero pra gente sair de novo. -ele me entrega o celular e salvo meu numero. Entrego o celular dando um beijo na bochecha dele e quando ele me puxa para um beijo, eu desvio e abraço-o.
-Obrigada mesmo!
Entro em casa, meu pai estava no banho, aproveito para ir direto pra cama. Quando estava quase dormindo, meu celular toca informando que uma mensagem havia chegado, um numero desconhecido.
"-Obrigado por hoje, como amanhã é sábado, gostaria de ir comigo em um lugar?"
Percebo que era o Pedro, salvei o numero dele e por puro impulso, respondi a mensagem com um simples "Vamos" e coloquei o celular em cima da escrivaninha antes que eu pudesse mudar de ideia.