"-Te busco às 15 horas. Boa noite!"
A mensagem de Pedro de ontem a noite aparecia mesmo com a tela do celular travada.
Verifico o horário, 12 horas. Ao mesmo tempo que adoro acordar tarde, odeio. Percebo que estou jogando boa parte do meu tempo no lixo, um tempo que nunca mais terei de novo. Mas percebo que não há mais nada que eu poderia fazer.
A fome bate, então decido fazer panquecas para o almoço. Penso que neste momento, na Inglaterra, as pessoas já estão tomando chá da tarde. É incrível esse negocio de fuso horário, enquanto uns estão almoçando, outros estão jantando; enquanto uns dormem, outros acordam.
Vou ao quarto de Rafael, chamá-ló para comer, mas a cama estava arrumada e não havia sinal dele pela casa.
Pedro chegou 15 horas, como havia prometido. Desta vez eu me vesti melhor para andar de moto, coloquei uma bota de cano baixo preta, uma calça jeans também preta, uma regata branca e uma jaqueta de couro preta por cima.
-Olá Laura - ele disse me entregando o capacete- estou vendo que está preparada para andar de moto, até parece que sabia que iriamos passa bastante tempo nela.
-Oi Pedro -sorrio e o abraço.
O dia estava muito agradável, sol, uma brisa gostosa de primavera, temperatura de mais ou menos 25°C - 28°C. Pegamos a estrada e seguimos para o litoral.
Era uma trilha para carros, muitas arvores em volta e pequenos raios de sol surgindo entre elas. Quando Pedro parou foi que conseguimos conversar de novo.
-Nervosa? - ele perguntou
-Nem um pouco.
-Então venha.
Ele pegou na minha mão e continuamos a trilha sem a moto, conseguia ouvir o som da cachoeira. Até que paramos, tinha uma pequena escada feita no barranco, pra ir até a cachoeira.
-Isso é lindo! -eu disse maravilhada.
-Você me disse que queria conhecer o mundo, ainda não posso te levar para longe, mas posso te mostrar lugares bonitos como esse.
-Obrigada Pedro! - dou um abraço nele
Sentei-me na beira do barranco, observando a cachoeira.
-Não quer entrar? -Pergunta Pedro.
-Não, não trouxe roupa pra isto.
-Mas não precisa de roupa pra entrar na água. -Olho pra ele espantada, me conheceu há menos de 24 horas e já quer me ver nua. -Não, - Ele diz rapidamente- não foi isso que eu quis dizer. Estava apenas dizendo que pode entrar de lingerie, afinal é basicamente um biquíni.
-Entendo, mas estou bem aqui, não quero entrar. Mas fique a vontade se quiser. -Sou insegura demais para mostrar meu corpo à ele.
-Não, vou fazer companhia pra você. - Ele senta ao meu lado. -Então, me conta algo sobre você que mais ninguém saiba.
Poderia contar-lhe qualquer coisa, não há muitas pessoas interessadas em mim, muito menos na minha vida. Penso em algo, mas nada me vem a cabeça.
-Não sei, o que você quer saber?
-Eu quero saber de tudo Laura, dos seus gostos, suas qualidades e defeitos, seus medos. . .
-Medos? - a pergunta saí por entre meus lábios sem nem mesmo te-la pensado.
-Sim! -ele responde olhando para mim.
-Bom, gosto de aprender sobre os lugares, países.
-Laura -ele diz decepcionado e em seguida sorri. -isso eu já percebi me fala algo, rápido, a primeira coisa que vem na sua mente.
Lembro da minha mãe, dela contando a historia "O pequeno príncipe" para mim quando eu era criança.
-O pequeno príncipe. -Digo segundos depois dele me perguntar e de imediatamente lembrar-me.
-O livro? Porquê?
-Minha mãe contava pra mim quando eu era criança, crio que hoje percebo o valor dessa história. - espero Pedro me dizer algo, mas ele apenas se inclina, esperando que eu continue. -Bom, desde que eu nasci, minha irmã tinha Leucemia, ela foi diagnosticada com dez anos, então minha vida toda eu sempre tive que ver meus pais dando atenção pra ela, não que eu ligue. Mas ninguém me contava o que estava acontecendo. O único momento que eu tinha com a minha mãe, só eu e ela, era quando meu pai ia dar banho na minha irmã. Minha mãe sempre me contava essa história e no final dizia "Boa noite princesa". Mais tarde, fui entender o significado por trás do livro, o Pequeno príncipe era uma criança, uma criança que via beleza em todos os lugares. Tento ver o mundo como ele, por causa da minha mãe. -Pedro passa o braço por cima dos meus ombros e me puxa para um abraço, em seguida ele beija minha cabeça. - Vamos, - me levanto - do que adianta vir até aqui e não aproveitar este lugar lindo.
Tiro minhas roupas, ficando apenas de lingerie, largo-as em cima do barranco e vou para dentro do lago. Pedro vem logo atrás de mim.
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