terça-feira, 5 de julho de 2016

Capitulo 3



Quando finalmente saímos da água, o sol já começava se pôr. Coloco minhas roupas que estavam em cima do barranco, estava esfriando.
-Vai, pode falar. Eu sou um cozinheiro de primeira mão. - Ele disse com uma das mãos segundo a frigideira e a outra um garfo, para mexer o hambúrguer.
Enquanto estava lavando a louça, ouço o som da porta da frente batendo e, em seguida ouço Rafael.
Ele pega as malas que estavam perto da porta e as coloca no carro.
Ele abre a maleta e lá continha várias identidades falsas, minhas dele e então ele pega uma, única, do Pedro.


No caminho de volta observo o por do sol a nossa frente, era lindo. O dia estava maravilhoso, nada de ruim aconteceria. Eu estava feliz, em paz.


Pedro parou em frente a minha casa, já estava escuro.
-Venha, -digo tirando o capacete.- vamos entrar.
-Tem certeza?
-Absoluta!
Nesse momento não gostaria de ficar sozinha, não mais. Eu gostava de estar com ele, gostava da sensação que tinha quando estava com ele, liberdade!
Ele entrou sem reclamações. A casa estava escura e o carro não estava na garagem, como sempre. Rafael costumava demorar para chegar em casa quase sempre, as vezes, passa a noite fora. Quase nunca me preocupava com isso, afinal, ele tem o espaço dele e eu o meu.

-Está com fome? -perguntei tirando a jaqueta, minhas roupas já estavam completamente secas por conta do forte vento.
-Morrendo! - ele sorri.
-O que sugere? 
-Podemos pedir uma pizza ou cachorro-quente. 
-Ou. . . -digo olhando para ele. - Podemos fazer pizza ou cachorro-quente.
 Ele sorri e concorda. 
 Decidimos fritar hambúrguer e montar a gosto. Começo tirando-o do congelador e Pedro me reprime, avisando que ele iria fazer a comida. 

-Ah- digo com certa ironia para irrita-lo- até que você consegue manter a casa livre de incêndios. Dá pra viver bem sozinho.

 Ele olha pra mim e começa a rir.
-Você está mesmo me zuando? 
-Eu? Jamais!
 Ele se aproxima do balcão, ao qual eu estava sentada. Envolve os braços na minha cintura e se aproxima para um beijo. Quando nossa bocas estavam prestes a se tocar ele se afasta num movimento rápido e diz:
-O hambúrguer esta pronto, vamos montar os pães?
 Finjo que nada ocorre eu apenas concordo, o clima ficou meio tenso. Montamos os pães e comemo-os em silencio. 
-Nossa! Já são 23 horas, acho que devo ir embora. -ele disse apos verificar o horário no celular.
-Você não prefere ficar para passar a noite, acho que Rafael não vai vir hoje e estou com uma sensação estranha, não quero ficar sozinha. -me arrependo no segundo em que as palavras sairam da minha boca, o que estou pensando? Ele não quer ficar, não quis nem me beijar, por que ficaria?
-Tudo bem, -ele sorri. -eu fico. Mas, por um acaso, eu poderia tomar um banho, as roupas estão geladas. 
-Claro, claro. -digo indo em direção as escadas. -Aproposito, obrigada.
-Sem problemas. 

 Pego uma toalha e uma roupa no armário de Rafael. Ele segue para o banho. 



-Laura, preciso que arrume suas coisas.
-Como assim? -do que ele estava falando?
-Pegue suas coisas e coloque em uma mala, vamos embora. Tente não colocar muita coisa, só o necessário mesmo.
-Mas eu não quero ir, você sempre viaja sozinho por causa do trabalho, por que não pode agora?
-Laura, eu sou um agente, e a Aline também era, e ontem no fim da tarde ela foi assassinada e agora querem matar o filho dela, você e eu.
-Querem matar o Pedro? -era informação demais pra poder associar e absorver.
-Eu sei que vocês ficaram amigos, mas não posso fazer muita coisa, ainda mais se ele estiver em casa. Porque se estiver, muito provavelmente já deve estar morto. Eu sei que é difícil minha filha, mas eu preciso que você seja forte agora, sei que não estive muito presente na sua vida, mas eu sei quão forte você é.
-Tudo bem, -digo com a cabeça queimando por conter as lagrimas. Não sei se é verdade, não sei se sou forte. -O Pedro está aqui, tomando banho. Saímos hoje pela tarde e convidei-o para dormir aqui, não queria ficar sozinha.
- Tudo bem, vou chamá-lo e você arruma as coisas, só coisas rápidas e necessárias.
-Ta bem.

 Em uma mala de viajem média, coloco algumas roupas, notebook e alguns livros. Pego minha bolsa com os documentos e levo a mala e a bolsa para perto da porta da frente. Em outra mala, arrumo algumas roupas de Rafael.
Encontro Rafael e Pedro no andar de baixo, perto das malas.
-Pronto? - pergunta meu Rafael.
-Pronto! -respondo quase em um sussurro.
-Tudo bem, então vamos.

O Pedro entrou no carro na parte de trás e eu e Rafael na parte da frente.

Ele partida no carro e seguimos. Ele dirigia rápido, porem cauteloso.
-Tá, dá pra você me explica? -digo para Rafael.
-Também quero explicações. - Diz o Pedro.
Rafael puxa o ar, tentando achar um jeito de explicar anos e anos de suspense.
-Eu e a Aline somos agentes, estávamos como parceiros para um trabalho de infiltração, mas nos descobriram. Obviamente nos perseguiram e infelizmente, -ele faz uma pausa, olha o retrovisor e por fim diz - pegaram a Aline.
-Como assim pegaram ela? Pra que precisam dela? - Se pronunciou Pedro.
-Bom, na verdade Pedro, não precisam dela. . . -O garoto ficou paralisado.
-Está me dizendo que mataram ela? -ele pergunta tentando não acreditar.
-Sinto muito! -Rafael diz com pesar na voz.
-O que vamos fazer?- pergunto.
-Vamos para Ohio, tem uma casa lá pronta para o meu escape.

  Ficou um longo silêncio até chegarmos no aeroporto.
-Pedro, você não deve ter nenhum documento ai não é ? -Pergunta  Rafael.
-Não. -Responde, seco e sem vida.
-Tudo bem, Laura vá no por malas e pegue uma maleta preta. -Obedeço.

-Aline deixou isso comigo, caso precisa-se, pegue - ele entrega ao Pedro.
-Laura abra o porta-luvas.- O abro.- Agora procure um passaporte com o nome do Pedro.- Eu o pego. - Tudo bem, agora precisamos comprar as passagens e ir.

 No aeroporto eu e Pedro ficamos sentados em um banco esperando meu pai comprar as passagens.
-Sinto muito Pedro- coloco uma das minhas mãos em cima de uma das mãos dele.
 O Pedro continua em silêncio, e então Rafael volta com as passagens.
-Tem voo em 1 hora.


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