terça-feira, 5 de julho de 2016

capitulo 4

Meu pai ficou ao lado da janela e o Pedro do lado do corredor, me deixando entre os dois.
O Pedro estava triste eu entendo, também perdi minha mãe. Me sinto culpada por isso, eu sempre faço isso, sempre estrago a vida das pessoas. Sou como um buraco negro cheio de infortúnios que atrais as pessoas mais próximas à isso. Acabo adormecendo.

Acordo de repente e olho para um lado e o meu pai esta dormindo, olho para o outro lado e Pedro também está. Fico parada olhando para a parte de trás da poltrona que está na minha frente e os pensamentos vem.

Lembro da minha mãe, de como eram nossos finais de semana, sempre estávamos com um sorriso no rosto, sempre feliz. Lembro também de um dia em que estávamos eu, meu pai e minha irmã Emily, ela estava brincando comigo, era tudo tão bom. E infelizmente eu era tão pequena que não pude dar valor direito para esses momentos. Mas eu queria, queria que meu pai fosse mais feliz, queria que minha mãe e minha irmã não tivessem morrido, queria ter as briguinhas bobas que toda adolescente tem com a mãe, queria que meu pai não fosse um agente, queria que a irmã do Pedro não tivesse morrido, queria ter tido leucemia no lugar da minha irmã, queria ter salvado ela, queria não ter que viajar pra Ohio, queria poder falar tudo isso pro meu pai, queria ter outra escolha, eu simplesmente não queria ter essa vida que eu tenho.
Quando afasto os pensamentos, noto que estou chorando e que meu pai está me olhando.
-O que aconteceu, filha?
-Ah, nada.- Dou um sorriso e limpo o rosto na manga da blusa.
-Certeza?
-Claro, só estou cansada, foi tudo muito corrido. -Também queria não ter que mentir pro meu pai.
-É verdade, mas tente dormir um pouco.
-Já tentei, não consigo, acho que vou ler meu livro ou assistir um filme.
-É uma boa ideia, eu vou tentar dormir de novo.
-Tudo bem.
  Ele vira pro lado e eu pego minha bolsa e tiro de lá “Por lugares incríveis” e então começo a ler. Algum tempo depois a aeromoça avisa que estamos começando a descer em Ohio. Quando pousamos, começo a cutucar meu pai avisando que pousamos, poucos segundos e ele acorda e me manda acordar o Pedro.


  Levamos as malas para um táxi e meu pai dá o endereço.

  Meu pai e o Pedro pegam as malas no porta-malas do táxi e levam pra dentro, meu pai pega a maleta preta, abre e tira de lá um molho de chaves e começa procurar até achar uma que deve ser da tranca da porta da frente da casa, então ele abre e já está tudo em perfeita ordem e mobiliada.
-Então como eu disse que só precisava de dois quartos pelo fato de ter apenas uma filha, acho que vocês vão ter que dividir o quarto. -disse Rafael.
-Tudo bem. -Respondo por mim e pelo Pedro.
-Subam, vão dormir um pouco amanhã vai ser um dia cheio.
-Ok, vamos Pedro.- Ele pega a minha mala e leva para o quarto no final do corredor. Era grande, tinha um papel de parede lindo do mapa-mundi. Nunca conversei muito com Rafael, me impressiona ele saber meu gosto.
Resultado de imagem para quarto com mapa mundi


 Pedro deita na cama olhando pro teto e vejo que ele começa a chorar, vou para perto dele e dou um abraço.
.
-Sei como é difícil, creio que ainda mais difícil pra você sendo que não tem mais ninguém além de mim e do meu pai.- Ele me solta e olha pro lado.- Pedro, tenho que dizer que isso sempre vai doer, toda vez que você lembrar, mas com o tempo você se acostuma, as pessoas se habituam a tudo, inclusive à dor.
-Acho que não.
-Claro que sim, você vai achar uma mulher que goste de você, vai se casar com com ela e ter filhos e quando eles perguntarem da tua irmã, você vai se lembrar dela, de todos os momentos bons que vocês tiveram e vai disser que ela foi uma ótima mulher, uma ótima irmã e teria sido uma ótima tia se a vida tivesse deixado e que agora ela está em algum lugar olhando para todos, como um anjo.
-Ela era a unica família que eu tinha, depois dos meus pais. . . - ele faz uma pausa, e começou a chorar.

 Ele chora e então deita no meu colo.
- Eu vou ser sua família agora!
Ele chora até pegar no sono e pouco tempo depois eu durmo também.


 

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